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sábado, 6 de agosto de 2011

Análise estratégica das revoltas nos países árabes

Uma leitura extensa, porém cheia de subsídios para entendermos melhor os atuais acontecimentos no Oriente Médio...
Internacional - Oriente Médio
Egyptian-women-in-TahrirEsperar que movimentos islâmicos instaurassem a democracia e a liberdade equivale a esperar que uma passeata de prostitutas restaure a moralidade.
Um jornalista (sic) que se autodenomina 'especialista' em Oriente Médio contestou a afirmação que fiz no último artigo de que os planos da Al Qaeda seriam facilmente endossados, com mínimas discordâncias, pela Fraternidade Islâmica e outros movimentos políticos, religiosos ou terroristas, pois segundo ele a Fraternidade não apóia grupos terroristas, nem tem vínculos com a Al Qaeda. Ora, um 'especialista' em Oriente Médio deve no mínimo entender alguma coisa de estratégia e saber que divergências táticas jamais impediram alianças estratégicas. Dei a ele a resposta que aqui coloquei em epígrafe. Como já adverti em artigos anteriores, as discussões diplomáticas e a avaliação estratégica dos países islâmicos não podem ser desenvolvidas com base em pré-concepções ocidentais exclusivamente judaico-cristãs, tais como democracia, liberdade, livre iniciativa, direitos trabalhistas e das minorias, etc. Estes conceitos e estas crenças não pertencem ao universo mental, conseqüentemente, nem à religião nem à ideologia islâmicas, totalmente baseadas na submissão a Allah e seu Profeta Mohamed tal como prescrita no Corão, nos Haddithim e na Sunna. Aqueles conceitos só podem ser aplicados aos povos ocidentais, nunca a quaisquer outros povos. Sejam hinduístas, xintoístas, budistas, animistas e outros todos os que falam em democracia o fazem dentro de parâmetros mentais totalmente diversos dos nossos, tornando as negociações numa conversa de surdos. Um conceito totalmente desconhecido fora do Ocidente é o de liberdade individual. Quando se negocia com estes outros povos deve-se levar em consideração que quando falam em liberdade estão se referindo a outra coisa qualquer, jamais à liberdade individual, para nós o bem maior. Para os muçulmanos, então, esta é completamente desconhecida e mais ainda: desejá-la é uma heresia, um atentado contra a submissão corânica.

Falta aos ocidentais o conhecimento de um princípio fundamental do Islam: al Taqiyya: 'o sagrado direito à fraude, de mentir em nome da maior glória de Allah. A falsidade para impedir as ofensas ao Islam, para se proteger, ou para promover a causa do Islam é aceita e estimulada pelo Corão e pela Sunna, incluindo a mentira sob juramento perante uma corte. Um muçulmano está autorizado a negar ou denunciar sua própria fé se, ao fazer isto, ele estiver protegendo os interesses do Islam, desde que, em seu coração, ele permaneça fiel'. A Taqiyya vem sendo usada desde o século VII para confundir e dividir o inimigo. É derivada dos antigos hábitos tribais beduínos
[2]. Embora muitos estudiosos advoguem que seja um hábito puramente xi'ita, na verdade é inerente ao Islam como um todo.
Ibn Abbas comentava que "al-Taqiyya é uma expressão exclusivamente da língua, enquanto o coração permanece confortado com a fé". Significa que à língua é permitido expressar qualquer coisa, desde que o coração não seja afetado. Abd Ibn Hameed, sob a autoridade de al-Hassan, disse: "al-Taqiyya é permitida até o Dia do Juízo, somente então não poderá ser usado"[3]. É exatamente este estratagema que permite dizer que o Islam é uma 'religião de paz' enquanto matam mais dos que os comunistas e nazistas o fizeram[4]. Origens dos distúrbios que afetam os países árabes [5]

A análise de Barry Rubin,
Who Really Made Egypts Revolution?: The Story The Media Missed mostra a especificidade do discurso que animou a chamada "primavera da Praça Tahir'. Rubin não nega que alguns membros do movimento pediam eleições livres, o fim da ditadura de Mubarak e seus líderes visíveis genuinamente desejavam alguma forma de democracia e direitos humanos - mas não os direitos individuais.

"Porém os elementos bem organizados por trás das manifestações têm uma interpretação de democracia bastante diferente da definição Ocidental deste conceito (...) A idéia de que os inimigos daquela ditadura são radicalmente hostis ao Ocidente e favoráveis ao Islam nem passa pela cabeça dos observadores ocidentais".

Do ponto de vista da maioria dos militares egípcios e dos envolvidos na revolução o Islam é a única resposta contra a detestável ocidentalização dos costumes, com incremento da criminalidade e da injustiça. "Os militares vêem no Islam a resposta para os problemas de identidade, justiça social e estabilidade interna". Portanto, um Egito muçulmano é muito mais atraente do que o do ocidentalizado Mubarak, assim como o Xá era detestado no Irã e por sua tentativa de modernização é que foi derrubado. Mesmo que não queiram um Estado dominado pela Fraternidade, eles estão abertos para uma maior influência da mesma nas regras religiosas, ao mesmo tempo em que existe um profundo sentimento de ódio a Israel, à América e ao Ocidente.
O noticiário sobre a 'primavera árabe', a derrubada de ditadores e a imposição da democracia, dá mostras de refluir para as páginas centrais. Alguns, já começam a desconfiar que a tal primavera não passa de um inverno - ou inferno! Chinmaya R. Gharekhan publicou dia 22 de junho no The Hindu, um artigo intitulado Is Arab Spring wishful thinking?, no qual afirma:
"as expectativas e esperanças engendradas pelos eventos na Tunísia e no Egito parecem ter se mostrado baseadas apenas em wishful thinking e não numa avaliação cuidadosa e acurada das características específicas de cada país Árabe e nos interesses de potências estrangeiras que desejavam dirigir os acontecimentos numa determinada direção (...). Precisamos esperar para ver que rumo os acontecimentos vão tomar".
A análise de Chinmaya R. Gharekhan abrange outros países da região, como Líbia, Síria, Yemen e Bahrein.
Embora o jornalismo indiano esteja anos luz à frente dos seus colegas brasileiros, divididos entre imbecilóides arrogantes e outros comprometidos com a expansão das forças globais que ameaçam a civilização ocidental, parece-me um pouco tarde para apenas desconfiar! Desde 18/02/2011 comecei uma série de artigos (Ignorância, mentiras e idiotices em relação aos distúrbios no Oriente Médio), seguido de outro para o Jornal Visão Judaica (O cerco a Israel), além de publicar textos de Donald Hank, Molares do Val, do site de Inteligência STRATFOR, de Ivanaldo Santos, e outros, onde esta ilusão de 'movimento pela democracia' era mostrada com clareza e profundidade de análise como uma claríssima mentira inventada pelas potências ocidentais na defesa de seus próprios interesses.
Os fundamentos ideológicos da "democracia" árabe
Em 2008 o University of Maryland's Program on International Policy attitudes, realizou uma pesquisa no Egito sobre as preferências políticas do povo. Os resultados mostraram claramente o que os egípcios entendem por democracia: Embora 82% tenham se mostrado a favor de algo que chamam "democracia", 73% apoiavam a aplicação mais estrita da Lei Islâmica (Shari'a). Destes, 68% defendem aplicação da Shari'a para regulamentar o comportamento moral dos cidadãos 64% defendem as punições tradicionais como apedrejamento para adúlteras 62% querem que o governo policie a vestimenta das mulheres e 59% apóiam o uso da Shari'a como a única Lei. Um ano antes a mesma Universidade conduziu uma pesquisa de opinião no Egito, Marrocos, Paquistão e Indonésia. 60% responderam que a "democracia" era desejável para seus países, mas 71% concordaram com a 'estrita aplicação da Shari'a em todos os países islâmicos''. Tais resultados sugerem que a idéia de democracia naquela região se restringe à realização de eleições sem incluir nem sombra de direitos individuais, exatamente o que temiam os Founding Fathers quando aprovaram a Constituição Americana e as primeiras dez Emendas, o Bill of Rights.
Vejamos a situação como se apresenta em alguns desses países.
TUNÍSIA: Possivelmente a Tunísia é o único país norte africano capaz de evoluir para uma forma realmente democrática de governo que inclua alguns direitos individuais. Como aponta Bruce Maddy-Weitzman, quatro fatores são favoráveis: (1) uma entidade nacional compacta e bem definida, com forte sentimento nacional e com tradição de economia de mercado e trocas com o exterior; (2) sofreu um processo de modernização importante, com uma classe média culta, o banimento da poligamia e a menor taxa de crescimento populacional de todo o mundo árabe; (3) a tradição de uma sociedade civil atuante e (4) forças armadas de pequeno porte, não politizadas e que se recusaram a substituir o poder civil após a queda do governo ditatorial.
LÍBIA: Por que os bombardeios da OTAN e dos EUA, alegadamente apenas para derrubar Kadhafi, estão destruindo sistematicamente toda a infraestrutura do País e matando civis? Afastado Kadhafi, o que está cada vez mais difícil, o que farão com uma Líbia destruída? Quem reconstruirá a infraestrutura do país, senão empreiteiras ocidentais? Quem tomará conta do petróleo líbio? Entre os revoltosos de Benghazi alguns portavam a velha bandeira dos tempos do Rei Ídris I, com quem era mais fácil para as grandes multinacionais petrolíferas negociarem vantajosamente, principalmente a italiana Ente Nazionale Idrocarburi (ENI). O fato é que podem estar enganados e entregar o poder para fanáticos muçulmanos, pois Idris era o líder da Irmandade Senussi, uma seita antiocidental que pratica uma forma austera e conservadora do Islam, e a estratégia pode sair um tiro pela culatra. Seu avô, Sayyid Muhammad ibn Ali as-Senussi, foi o fundador da religião inspirada no wahabismo dominante na Arábia Saudita.
Além dos monarquistas e de uma minoria de supostamente democratas, outras duas facções podem ser identificadas no Libyan National Transitional Council (NTC): extremistas islâmicos, aliados dos monarquistas, que podem ser chamados de monarquitas-fundamentalistas, que almejam estabelecer um Estado Religioso e elementos até então ligados a Kadhafi que o abandonaram por oportunismo.
Estudos franceses citados por John Rosenthal no National Review em Al-Qaeda and the Libyan Rebellion mostram que membros do Libyan Islamic Fighting Group filiado à Al Qaeda constituem o principal pilar da insurreição, portanto a 'coalizão militar da OTAN está apoiando terroristas islâmicos (...). É inegável que os rebeldes líbios que Washington apóia, há pouco tempo estavam matando soldados americanos no Iraque', onde foram recrutados por Abdul-Hakim al-Hasadi, um ex combatente no Afeganistão que foi preso pelos americanos em 2002 e solto na Líbia em 2008. al-Hasadi é o comandante de uns mil homens nas cidades de Damah e Bin Jawad, no leste da Líbia[6].
Quem leu meus artigos anteriores verá que estas não são novidades... Eu apenas acrescento que Barack Hussein Obama sabe perfeitamente disto e é de sua estratégia entregar o Oriente Médio aos jihadistas da Al Qaeda e aos fundamentalistas islâmicos.
EGITO: As autoridades militares provisórias do Egito, além de reabrirem a fronteira com a Faixa de Gaza sem consultar Israel nem denunciar oficialmente o acordo entre ambos, concederam licença de inscrição como partido político ao mais antigo movimento islâmico do país, a Fraternidade Muçulmana (fundada em 1928). Simultaneamente conseguiram organizar também um novo partido, Hizb al-Nour, de origem salafita. Nada menos que quatro partidos salafitas estão em processo de formação desde a queda de Mubarak. Mas com a formação estimulada pelos militares do Hizb al-Nour é a primeira vez que um grupo salafita aceita participar de eleições relativamente livres, pois, diferentemente do fingido núcleo islâmico central, eles e os wahabitas aos quais muito se assemelham, se opõem claramente à ordem democrática e à elaboração de leis humanas não emanadas diretamente do Corão. Para estes grupos radicais que incluem jihadistas, a democracia é anti-islâmica porque é um sistema que permite aos homens se apoderarem do direito de fazer leis, exclusivo de Allah.
Salafi é uma palavra árabe que significa sunitas seguidores da Salaf islâmica, que pode ser traduzida por 'predecessores' ou 'ancestrais': as três primeiras gerações islâmicas, os Sahaba (companheiros de Mohammed), os Tabi'un (seguidores) e os Tabi' al-Tabi'in (os que vieram imediatamente depois dos seguidores), que são exemplares de como o Islam deve ser praticado através de uma interpretação estrita da Escritura.
Assim também são os wahabitas, seita sunita predominante na Arábia Saudita, seguidores de Muhammad ibn Abd-al-Wahhab, que preconizava no século XVIII purgar o Islam de todas as inovações surgidas nos últimos séculos, consideradas heréticas.
Teoricamente a aceitação de uma limitada democracia por parte dos salafitas significaria um passo muito grande rumo à democratização do Islam. No entanto, analistas conhecedores das intricadas relações entre grupos políticos egípcios, acreditam que seja uma jogada dos militares para impedir a quase certa maioria da Fraternidade em eleições gerais, aliada aos jihadistas do Al Qaeda e outros grupos. Opondo dois poderosos grupos ultraconservadores estariam pretendendo assumir o papel da fiel da balança e, se possível, a eternização no poder como uma espécie de 'poder moderador'. Tais mudanças aparentemente são temidas pela Arábia Saudita, acossada pelas potências xi'itas do Golfo Pérsico, principalmente o Irã e as maiorias no Iraque e Bahrein - além das minorias xi'itas dentro de suas fronteiras, cada vez mais fortes na franja petroleira do Golfo, no Iemen e nos Emirados. Ocorre que existem salafitas em seu território exigindo mudanças desde 1990 sem sucesso e seu crescimento poderia desestabilizar a 'ilha de tranqüilidade' em que vivem os sauditas sob mãos de ferro de seus sete mil príncipes. [7]
SÍRIA: Este país de maioria sunita é controlado por um exército alawita, um dos ramos mais radicais da facção xi'ita do Islam o que implica numa situação inusitada entre os países árabes. Os alawitas existem há mais de mil anos predominantemente nas montanhas Jabal al-Nusayriyah no noroeste da Síria constituindo uma população de 1.6 milhão ou 13% da população do país. Os demais 600 mil distribuem-se pela Turquia e Líbano. Praticam uma religião sincrética e esotérica que mistura o Islam com tradições religiosas babilônicas, helênicas, persas e cristãs. Embora seu nome derive de Ali, genro do Profeta, são considerados hereges pelos sunitas em função deste sincretismo. Não possuem mesquitas e as reuniões religiosas se dão nas casas dos fiéis.
Pois é deste povo que são constituídas as forças militares, firmemente controladas pelos Assad e por eles protegido. Isto reduz em muito as possibilidades de pressão militar pela queda de Assad, diferentemente da Tunísia e do Egito, apesar da presença de alguns comandantes sunitas recentemente promovidos. A terra natal dos Assad, Kardaha, fica em plenas montanhas alawitas. Mas estes não constituem uma religião homogênea, são divididos em várias tribos e quatro ramos de sub-seitas que não se entendem entre si. Isto pode levar a uma luta interna que enfraqueça o exército e o poder de Assad. As diversas facções se uniram para apoiar Hafez Assad que os protegia dos levantes sunitas como os que ocorreram na década de 1970. Desde então a sorte de toda a comunidade está inseparavelmente ligada ao clã Assad. Porém podem ser confrontados agora com a necessidade de tomar outras decisões. Tudo depende da medida em que sejam respeitados e legitimados por outras forças[8].
Shari'a versus secularismo
Os especialistas árabes discutem há muito se alguns princípios democráticos poderiam ser introduzidos num sistema islâmico baseado na shari'a[9] e, se isto for viável, qual a melhor forma de fazê-lo. Muitos defendem que a introdução da lei islâmica com mais vigor, seria vital nas autocracias árabes, equivaleria ao nosso rule of law limitando a ação dos autocratas na medida em que tais regimes não seguem lei alguma, a não ser a prática ditatorial personalista.
Para os que pensam assim o chamado da Shari'a não seria um apelo ao sexismo, ao obscurantismo ou às punições selvagens. Outros como Abdullahi Ahmed An-Naim, professor de Direito na Emory University, consideram que o governo secular seria a melhor forma de usar o poder coercitivo da Shari'a como lei do Estado e não religiosa. As opiniões variam quanto a qual a melhor forma de balancear a lei islâmica com a lei secular. De maneira geral existem três formas principais usadas pelos países islâmicos: o duplo Sistema Legal, o Governo de Deus e os completamente seculares.
DUPLO SISTEMA LEGAL: A maioria segue um duplo sistema no qual o governo é secular, mas os muçulmanos podem escolher levar as disputas familiares e financeiras a tribunais baseados na Shari'a. O limite entre ambos é extremamente variável de país para país. O único que segue estritamente este princípio é o Qatar. Em outros países como Nigéria e Quênia as disputas quase sempre resolvidas pelos tribunais religiosos incluem casamento, divórcio, problemas de herança e guarda das crianças. Na Tanzânia existe uma variante: a decisão por qual Corte deve ser usada depende da tradição ancestral dos contendores. O Líbano e a Indonésia têm jurisdições mistas baseadas nos resíduos do sistema legal colonial suplementados pela shari'a.

O GOVERNO DE DEUS:

Predominante em todos os países onde o Islam é a religião constitucional, a shari'a é considerada como a única fonte da Lei por ser a Lei que Emana de Deus através do Corão transmitido pelo Profeta Mohamed. Seguem este princípio a Arábia Saudita, Kuwait, Bahrain, Iemen e Emirados Árabes Unidos. No Paquistão, Egito, Irã e Iraque é proibido aprovar leis contrárias ao Islam. A interpretação mais estrita é seguida pela Arábia Saudita, onde existe uma polícia religiosa que pode revistar as mulheres, estas não podem dirigir carros, nem sair sem ser acompanhada por um homem - marido, irmão ou filho - e devem se mostrar completamente cobertas em público. Já nos Emirados as bebida alcoólicas são toleradas e existem jurisdições especiais para não muçulmanos.

TOTALMENTE SECULARES:

Azerbaijão, Tadjiquistão, Chade, Somália e Senegal. A Turquia é um caso à parte. O secularismo foi imposto pela Revolução de 1923-4 comandada por Mustafá Kemal Atatürk com a abolição do Sultanato e do Califado, reconhecimento de direitos iguais de homens e mulheres, reforma das vestimentas tradicionais, abolição de títulos e do dízimo, adoção do calendário internacional. Mas principalmente a abolição da lei canônica, a instituição de um código civil e unificação da educação para todos. Estas mudanças são garantidas pelos militares que têm a missão constitucional de impedir que a lei islâmica substitua a civil e o estabelecimento de uma teocracia. Na atualidade o Partido do Desenvolvimento e Justiça Islâmico do Primeiro-Ministro Recep Tayyip Erdogan ameaça a adoção de leis islâmicas. No entanto, segundo conhecedores profundos do país, mesmo ocorrendo a diminuição do poder dos militares, dificilmente haverá um retorno ao passado, pois diferentemente de outros países, não somente os mecanismos democráticos, mas também os direitos individuais e o Rule of Law ocidental já estão entranhados na mentalidade dos turcos. [10]

Conclusões:
Conforme as informações aqui esboçadas e a opinião de especialistas no assunto, podemos concluir que:

1- O Islam é incompatível com qualquer noção de liberdade individual e, portanto é improvável, senão impossível, o estabelecimento de um regime semelhante às democracias ocidentais
2- Os que exultam com o surgimento de tal regime como resultado das revoltas em andamento se baseiam muito mais em wishful thinking do que numa avaliação acurada das condições reais.
3- Pode-se esperar em alguns países, como a Tunísia, um regime baseado em eleições gerais que simulem uma democracia.
4- Mesmo nestes países a possibilidade de que eleições levem a um regime autoritário, como ocorreu no Egito com a queda da monarquia em 1956, ou o estabelecimento de partidos únicos controlados pelo clero, ou teocracias como o Irã.
5- Embora possa haver o estabelecimento de uma constituição que preveja eleições periódicas e multipartidarismo, é extremamente dubitável que isto ocorra na prática. De maneira geral os observadores ocidentais da mainstream media se conformam com documentos pomposos que jamais serão seguidos.

Notas: [1] Este texto reúne as Partes IV das séries Subsídios para entender o Islam e Ignorâncias, Mentiras e Idiotices em Relação aos Distúrbios do Oriente Médio publicadas em meu site www.heitordepaola.com e no Mídia Sem Máscara www.midiasemmascara.com.br
[2] Ver mais detalhes em http://www.islam-watch.org/Warner/Taqiyya-Islamic-Principle-Lying-for-Allah.htm
[3] Ver outras referências e comentários em http://www.al-islam.org/encyclopedia/chapter6b/1.html
[4] Embora não esteja no escopo deste artigo, é este estratagema mentiroso que permitiu que um muçulmano nascido no Quênia fosse eleito Presidente dos Estados Unidos e continue mentindo com a maior cara de pau, porém mantendo inabalável a crença em seu coração! Voltarei a este tema em breve.
[5] Uma boa cobertura cronológica, país a país, pode ser consultada no Washington Post Foreign Policy neste link http://www.washingtonpost.com/wp-srv/special/world/middle-east-protests/
[6] Mais sobre al-Hasadi em http://pajamasmedia.com/blog/rebel-commander-in-libya-fought-against-u-s-in-afghanistan/, http://www.weeklystandard.com/blogs/unknown-libya_555447.html, http://www.ilsole24ore.biz/art/notizie/2011-03-21/reportage-ribelli-islamici-tolleranti-231527.shtml?uuid=Aa6nhTID
[7] Após a publicação deste artigo, na última semana de julho, ocorreu o assassinato de um dos líderes revolucionários, General Abdel Younes, comandante do exército da oposição líbia. Segundo o ministro do Petróleo do Conselho Nacional de Transição (CNT), Ali Tarhouni, Younes foi morto por seus próprios comandados, tendo aberto uma cisão dentro do CNT e abalado a confiança dos revoltosos em seus aliados.
[8] Para mais detalhes ver http://www.huffingtonpost.com/dr-josef-olmert/bashar-assad-the-alawite-_b_853355.html
[9] Para Shari'a ver ainda http://www.heitordepaola.com/publicacoes_materia.asp?id_artigo=1937, http://www.jihadwatch.org/2011/03/the-sharia-catechism.html
[10] Na última semana de julho os Comandantes das Forças Armadas turcas renunciaram em bloco, evidenciando o profundo descontentamento com o governo de Erdogan, confirmando o que escrevi.


Publicado no Digesto Econômico da Associação Comercial de São Paulo.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Breivik era um "fundamentalista cristão"? Desmascarando a farsa midiática!

 
 
No vídeo acima Conde Loppeux de la Villanueva comenta sobre as insinuações da imprensa sobre a "cristandade" de um assassino, que na Noruega, matou quase cem pessoas. O articulista desmascara a fraude implícita que há no argumento da imprensa.


Terrorista se proclamava darwinista, não cristão
As reportagens dos meios de comunicação caracterizavam McVeigh como um "cristão", embora ele tivesse de forma categórica negado toda e qualquer convicção e crença religiosa - colocando sua fé na ciência.

WASHINGTON, EUA - Uma análise do manifesto de 1.500 páginas de Anders Behring Breivik mostra que a atitude dos meios de comunicação de apressadamente caracterizarem o terrorista norueguês como "cristão" pode ser incorreta do mesmo jeito que foi incorreto chamar Timothy McVeigh, o terrorista do ataque a bomba na Cidade de Oklahoma, de cristão.

Breivik foi preso no final de semana, acusado de dois ataques brutais em Oslo, Noruega, e nas redondezas dessa cidade, inclusive uma explosão na capital que matou 7 pessoas e uma orgia de tiros num retiro político de jovens na ilha de Utoya que matou mais de 80 vítimas.

Juntando os pedaços das várias postagens de Breivik na internet, muitas reportagens dos meios de comunicação caracterizaram o terrorista - que diz que estava transtornado com as políticas multiculturalistas impulsionadas pelo Partido Trabalhista da Noruega - como "extremista de direita e cristão fundamentalista". Entretanto, embora McVeigh tivesse rejeitado Deus completamente, Breivik escreve
em seu manifesto que ele não é religioso, tem dúvidas acerca da existência de Deus, não ora, mas afirma a supremacia da "cultura cristã" da Europa bem como sua própria cultura nórdica pagã. 

Por outro lado, Breivik louva Charles Darwin, cujas teorias da evolução se opõem às afirmações da Bíblia, e afirma: "Quanto à Igreja e à ciência, é essencial que a ciência tenha uma prioridade indiscutível sobre os ensinos da Bíblia. A Europa sempre foi o berço da ciência, e deve sempre prosseguir desse jeito. Com relação ao meu relacionamento pessoal com Deus, imagino que não sou um homem excessivamente religioso. Sou em primeiro lugar um homem de lógica. Contudo, apoio uma Europa cristã monocultural".

O terrorista de forma franca também confessa que não encontra apoio, nem nas igrejas protestantes nem católicas, para suas ideias violentas.

"Tenho a confiança de que a futura liderança de uma hegemonia conservadora cultural na Europa garantirá que a atual liderança eclesiástica seja substituída e os sistemas sejam de certo modo reformados", escreve ele. "Temos de ter uma liderança eclesiástica que apoie uma futura cruzada com a intenção de libertar os Bálcãs, a Anatólia e criar três estados cristãos no Oriente Médio. São necessárias inciativas para facilitar a desconstrução das igrejas protestantes, cujos membros devem se converter de volta ao catolicismo. As igrejas protestantes tiveram um papel importante em outros tempos, mas suas metas originais já foram alcançadas e contribuíram para reformar a Igreja Católica também. A Europa tem de ter uma Igreja unida liderada por um papa justo e não suicida que tenha disposição de lutar pela segurança de seus súditos, principalmente com relação às atrocidades islâmicas".
Embora Breivik tenha dito que se considera "100 por cento cristão", ele também expressa orgulho em suas raízes genealógicas.

"Tenho orgulho de minha herança Viking", escreve ele. "Meu nome, Breivik, é o nome de uma localidade do Norte da Noruega, e dá para datá-lo até mesmo antes da era Viking. Behring é um nome germânico de antes da era cristã, o qual é derivado de Behr, a palavra germânica que significa Urso (ou 'aqueles que são protegidos pelo urso')".

E embora ele tivesse se caraterizado como "cristão" e "protestante", Breivik disse que apoia "uma reforma do protestantismo que o leve a ser absorvido pelo catolicismo".

De forma semelhante, as reportagens dos meios de comunicação caracterizavam McVeigh como um "cristão", embora ele tivesse de forma categórica negado toda e qualquer convicção e crença religiosa - colocando sua fé na ciência.

Breivik acrescenta: "Fui de moderadamente agnóstico para moderadamente religioso".

Numa seção de perguntas e respostas de seu manifesto, Breivik se pergunta: "Quais deveriam ser nossos objetivos civilizacionais? Como você imagina uma Europa perfeita?"

Sua resposta dificilmente se parece com a resposta de um "utópico cristão": "O pensamento 'lógico' e racional (certo grau de darwinismo nacional) tem de ser a base fundamental de nossas sociedades. Apoio a propagação do pensamento racional coletivo, mas não necessariamente num nível pessoal".

O manifesto de Breivik nunca menciona adoração e estudo religioso como parte da rotina dele para se preparar para sua missão de assassinatos em massa. Ao discutir seus preparativos para o ataque, ele escreve: "Tem sido um processo de longo prazo desde que decidi pela primeira vez que eu queria contribuir. Mas não é como se eu tivesse estado isolado há anos. Tenho vivido uma vida quase normal até agora. Ainda tenho um relacionamento íntimo com meus amigos e família, não tão estreito quanto costumava ser. Quanto à minha situação atual, venho trabalhando num livro agora por quase dois anos. É essencial que você se recompense e goze a vida nesse período. Você pode fazer coisas que normalmente você não faria. Você pode basicamente viver uma vida normal se escolher; você tem de ter cuidado extra. Venho praticando certos rituais e meditação para fortalecer minhas crenças e convicções. Para mim, o ritual mais comum é dar uma longa caminhada escutando minha música favorita no meu iPod".

Breivik também aponta para o fato de que sua ligação com os valores culturais cristãos tem como base a conveniência política, não a fé ou um compromisso religioso.

"Minha escolha não tem nada a ver com o fato de que não tenho orgulho de minhas próprias tradições e herança", explica ele. "Minha escolha foi baseada puramente no pragmatismo. Todos os europeus estão neste barco juntos. Portanto, temos de escolher uma plataforma mais moderada que possa apelar para um número maior de europeus - preferivelmente até 50 por cento (realisticamente até 35 por cento)".

Breivik também afirma ser membro da maçonaria, que muitos cristãos consideram como uma organização religiosa esotérica.
Mais especificamente, ele se chama de juiz dos Templários e explica o que isso significa na medida do possível como crença no Cristianismo:

"Considerando que essa é uma guerra cultural, nossa definição de ser cristão não necessariamente significa que você é obrigado a ter um relacionamento pessoal com Deus ou Jesus", escreve ele. "Ser cristão significa muitas coisas; que você crê e quer proteger a herança cultural cristã da Europa. A herança cultural europeia, nossas normas (inclusive códigos morais e estruturas sociais), nossas tradições e nossos modernos sistemas políticos são baseados no Cristianismo - protestantismo, catolicismo, cristianismo ortodoxo e o legado do iluminismo europeu (a razão é a principal fonte e legitimidade para a autoridade). Você não é obrigado a ter um relacionamento pessoal com Deus ou Jesus a fim de lutar por nossa herança cultural cristã e os costumes europeus. De muitas formas, nossas modernas sociedades e secularismo europeu são consequência da Cristandade europeia e do iluminismo. Portanto, é essencial entender a diferença entre uma 'teocracia fundamentalista cristã' (tudo o que não queremos) e uma sociedade europeia secular baseada em nossa herança cultural cristã (o que queremos). Por isso, não, você não precisa ter um relacionamento pessoal com Deus ou Jesus para lutar por nossa herança cultural cristã. Basta que você seja um agnóstico cristão ou ateu cristão (um ateu que quer preservar pelo menos os fundamentos do legado cultural cristão da Europa (feriados cristãos, Natal e Páscoa). Por isso, os PCCTS, os Cavaleiros Templários não são uma organização religiosa, mas em vez disso uma ordem militar 'culturalista' cristã".

De modo bastante repetitivo, Breivik faz tudo o que pode para deixar claro para os leitores de seu manifesto que ele não é motivado pela fé cristã.
 
"Não vou fingir que sou um homem muito religioso, já que isso seria uma mentira", diz ele. "Sempre fui muito pragmático e influenciado por meu ambiente secular. No passado, lembro-me de que costumava pensar: 'A religião é uma muleta para as pessoas fracas. De que vale crer num poder mais elevado se tenho confiança em mim mesmo!? É de dar pena'. Talvez isso seja verdade em muitos casos. A religião é uma muleta para muitas pessoas fracas, e muitas abraçam a religião por razões egoístas como uma fonte de onde extrair força mental (para alimentar sua fraca condição emocional, por exemplo, durante uma enfermidade, morte, pobreza, etc.). Já que não sou hipócrita, direi diretamente que essa é a minha agenda também. No entanto, não senti ainda a necessidade de pedir força a Deus, ainda".

Tradução:
Julio Severo
Fonte: Terrorist proclaimed himself 'Darwinian', not 'Christian'
Fonte: Mídia Sem Máscara

terça-feira, 26 de julho de 2011

Da droga para a lama: imagens chocantes mostram a destruição física de viciados

Depois de algum tempo, os cabelos já não são os mesmos. O rosto perde a cor. As bochechas somem. Os dentes caem.  A pele ganha manchas, olheiras, rugas, machucados. Os olhos perdem completamente o brilho.
Esses são os efeitos físicos mais visíveis causados pela uso de drogas pesadas, incluindo cocaína, heroína e metanfetamina – como você pode ver nas chocantes imagens abaixo.
As fotos à esquerda mostram viciados de drogas ao serem presos pela primeira vez. Às da direita, revelam as mesmas pessoas algum tempo depois, durante a segunda, terceira ou quarta passagem pela cadeia. As imagens foram organizadas pelo gabinete do xerife do Condado de Multnomah, no Estado de Oregon, nos Estados Unidos, com o objetivo de alertar a população para os efeitos reais das drogas.
E são apenas os efeitos físicos. Imaginem os efeitos psicológicos. Assustador, não?!
viciado-drogas
Fotos com diferença de 7 anos
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Diferença de 3 anos
viciado-drogas4
Diferença de 3 anos
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Diferença de 4 anos
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Diferença de 2 anos
viciado-drogas7
Diferença de 4 anos

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Diferença de 7 anos
viciado-drogas9
Diferença de 6 meses
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Diferença de 4 anos
viciado-drogas11
Diferença de 11 anos
viciado-drogas12
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domingo, 10 de julho de 2011

Desmascarando a “comunidade internacional”

Embora recitando de forma vazia slogans de tolerância, adeptos do governo da "comunidade internacional" apóiam a agenda das forças mais violentas, intolerantes e totalitárias do mundo.
Durante muitos anos, a esquerda em Israel e em todo o mundo vem exaltando a chamada "comunidade internacional" como sendo o árbitro em todas as questões. Desde o direito de Israel existir até as mudanças climáticas, desde a liderança mundial americana até os grãos geneticamente modificados, a esquerda tem afirmado que a "comunidade internacional" é o único corpo qualificado para julgar a verdade, a legalidade, a bondade e a justiça de todas as coisas.
A maior parte dos que apóiam essa visão vêem as Nações Unidas (ONU) como a encarnação da "comunidade internacional". Barack Obama, o presidente dos Estados Unidos, tem demonstrado repetidas vezes que seu teste final para decidir se uma política externa é viável ou desejável é o apoio que ela obtêm nas instituições da ONU.
Obama tem tanta aversão a que se aja contra a vontade da ONU, que está tentando ganhar a queda de braço com Israel para obrigá-lo a fazer concessões suicidas à Autoridade Palestina (AP) dominada pelo Hamas. Obama alega que, se Israel concordar em aceitar as fronteiras indefensáveis, ele conseguirá convencer os palestinos a não pedirem que a ONU endosse a soberania palestina em setembro. Como o sucesso da iniciativa palestina é inteiramente dependente do veto do Conselho de Segurança da ONU, ao agir assim, Obama está mostrando que prefere sacrificar a viabilidade futura de Israel como Nação-Estado a contrariar a "vontade da comunidade internacional" encarnada pela ONU.
Além disso, em uma proposta para se manter fiel à resolução do Conselho de Segurança da ONU permitindo o uso de força na Líbia para proteger civis, Obama se recusou a articular um objetivo claro para o envolvimento das forças militares americanas na Líbia. O fato de que a resolução do Conselho de Segurança essencialmente condena a intervenção militar da OTAN a um impasse estrategicamente incoerente, que pode levar à dissolução da Líbia, não é importante para o presidente americano.
A única coisa importante é que os EUA obedeçam às limitações ditadas pela resolução do Conselho de Segurança da ONU.
Quanto à Líbia, a decisão de Obama de enviar forças armadas americanas àquele país sem a permissão do Congresso americano, torna claro que, da perspectiva dele, o Conselho de Segurança da ONU, e não o Congresso dos EUA, é a fonte de autoridade para a ação militar americana. Conforme Obama, se o Congresso conclamar o presidente a agir de maneira contrária ao Conselho de Segurança da ONU, é dever do presidente desconsiderar o Congresso e obedecer ao Conselho de Segurança.
Dada a estatura totêmica da ONU nas mentes do presidente americano e da esquerda internacional, vale a pena considerar sua natureza:
Uma olhada nas recentes atividades da ONU é algo revelador.
Os membros da ONU elegeram o Qatar para presidir a Assembléia Geral e o Irã como um dos vice-presidentes. Os representantes desses dois países usarão sua plataforma para fazer avançar os planos antiamericanos, anti-israelenses e antiocidentais de seus regimes.
Como observou a Professora Anne Bayefsky, na revista The Weekly Standard, a primeira pauta deles será tratar da Conferência Durban III, que acontecerá em Nova Iorque paralelamente ao encontro da Assembléia Geral em setembro. A primeira Conferência Durban foi, é claro, a infame conferência racista e anti-semita da ONU em Durban, na África do Sul, em setembro de 2001. Em Durban, Israel foi destacado como o único país racista e xenofóbico do mundo, e ao povo judeu foi negado o direito de ter direitos nacionais e autodeterminação. A conferência terminou três dias antes dos ataques jihadistas aos EUA no dia 11 de setembro de 2001.
Além de sua conferência anti-semita, os líderes do Qatar e do Irã na Assembléia Geral certamente farão aprovar uma resolução apoiando o Estado palestino e condenando o Estado judeu.
Talvez antecipando seu novo papel de liderança na "comunidade internacional", o Irã hospedou recentemente sua primeira "Conferência do Mundo Sem Terrorismo". Falando na conferência, o ditador supremo do Irã, Ali Khamenei, disse que Israel e os EUA são os maiores terroristas do mundo. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que os EUA estavam por trás dos ataques de 11 de setembro e do Holocausto e que têm usado ambos os eventos para forçar os palestinos a se submeterem aos judeus invasores.
Paralelamente ao fato de que os líderes do Iraque, do Afeganistão e do Paquistão -- que devem seu poder e sua liberdade aos sacrifícios das forças militares dos EUA -- participaram da conferência, o aspecto mais notável do evento foi que ele ocorreu sob a bandeira da ONU. Ban Ki-moon, o secretário-geral da ONU, enviou cumprimentos aos participantes por meio de seu enviado especial. De acordo com a agência de notícias Fars, do Irã, "Em uma mensagem escrita (...) lida por Mohammad Rafi Al-Din Shah, enviado da ONU a Teerã, [Ban] Ki-moon [cumprimentou] a República Islâmica do Irã por realizar tão importante conferência".
De acordo com a Fars, Ban acrescentou que a ONU havia "aprovado um grande número de resoluções contra o terrorismo em anos recentes, e realizar conferências como a de Teerã pode ser consideravelmente benéfico na implementação dessas resoluções".
Quando os jornalistas perguntaram sobre a veracidade do noticiário iraniano, o gabinete do secretário-geral da ONU defendeu a sua posição. O porta-voz de Ban, Farhan Haq, fungou: "Se nós estamos avançando e tentando nos certificar de que as pessoas se posicionem contra o terrorismo, precisamos ir tão longe quanto possível para ter certeza de que todos o farão".
No que se refere ao mais alto funcionário da ONU, quando se trata de terrorismo, não existe uma diferença qualitativa entre o Irã, por um lado, e os EUA e Israel, por outro. Aqui é importante observar que, dentre os outros convidados, a conferência iraniana "contra o terrorismo" destacou proeminentemente o presidente do Sudão, Omar al-Bashir.
Bashir é procurado pela Corte Criminal Internacional por acusações de genocídio, pela matança que perpetrou em Darfur.
O novo vice-presidente da Assembléia Geral não é meramente o maior patrocinador estatal do terrorismo no mundo. É também um proliferador nuclear. Isso é, sem dúvida, o motivo pelo qual o representante do Irã na ONU expressou alegria quando, um pouco antes, a proliferadora nuclear companheira de sua nação, a Coréia do Norte, foi designada como chefe da Conferência da ONU sobre Desarmamento.
Esta é a mesma Coréia do Norte que realizou dois testes nucleares ilícitos; construiu um reator nuclear ilícito na Síria; colaborou abertamente com o programa nuclear e balístico do Irã; atacou e afundou um navio da frota sul-coreana no ano passado; e ameaçou com guerra nuclear a qualquer um que, em qualquer momento, criticar seu comportamento agressivo.
Esses exemplos representativos indicam o que passa por aceitável na ONU, demonstrando que a instituição internacional considerada como o depósito da vontade da "comunidade internacional" é total e completamente corrupta. Ela é moralmente falida. É controlada pelos regimes mais repressivos do mundo e usa suas instituições patrocinadas pelos EUA e pelo Ocidente para atacar Israel, os EUA, o Ocidente e as forças da liberdade e liberalismo em todo o mundo.
Dada a completa depravação da ONU e do sistema internacional que essa organização supervisiona, o que pode explicar a reverência automática da esquerda internacional a ela? De San Francisco a Chicago e a Boston; de Estocolmo a Paris e a Londres, membros da esquerda internacional afirmam que apóiam as vítimas da tirania. Eles garantem que defendem valores liberais de liberdade e tolerância e os direitos humanos. Mas, como a ONU, a verdade sobre a esquerda internacional mostra que seus membros são o oposto do que afirmam ser.
Aqui também alguns exemplos recentes são suficientes para contar a história da intolerância liberal e da violência: Michele Bachmann, a congressista americana e candidata republicana à presidência, apareceu no programa This Week [Esta Semana] da ABC News com George Stephanopoulos. Quase no final da entrevista, Stephanopoulos informou a Bachmann que ela pode ter certeza que a mídia começará a atacar a família dela, e especificamente as 23 crianças adotadas de quem ela e seu marido tomam conta.
Ele disse: "Eu sei que você quer servir como escudo para elas [as crianças adotadas], mas será que elas estão preparadas para a perda da privacidade que virá com a campanha presidencial? E será que você está preocupada sobre isso com relação a elas?" O aviso ameaçador de Stephanopoulos foi notável pelo que diz sobre a natureza da mídia dominada pela esquerda. Em uma recente entrevista, Michelle Obama, a primeira-dama americana, agradeceu à mídia por proteger sua família de ser escrutinada. Entretanto, Stephanopoulos não teve escrúpulos em ameaçar a família de Bachmann com um linchamento jornalístico.
E isso faz sentido. Como colegas de esquerda, os Obama têm passagem livre. Mas, como republicana conservadora, e como mulher não-esquerdista, Bachmann - assim como Sarah Palin - não tem o direito de esperar tolerância para a privacidade de sua família por parte da mídia iluminada, feminista e liberal.
Depois, houve uma investida violenta contra o historiador israelense Benny Morris do lado de fora da Escola de Economia de Londres. Como Morris o descreveu para o The National Interest [O Interesse Nacional], quando estava a caminho da universidade para dar uma palestra, "uma pequena turba (...) de algumas dezenas de muçulmanos, árabes e seus apoiadores, tanto homens quanto mulheres, me rodearam e, caminhando ao meu lado por várias centenas de metros à medida que eu avançava em direção ao prédio onde a palestra deveria acontecer, abafadamente começaram a falar coisas e a me agredir com palavras como "fascista', "racista', "a Inglaterra nunca deveria ter permitido que você entrasse aqui', "Você deveria ser proibido de falar"'.
E acrescentou: "Para mim, pareciam os camisas-marrons [nazistas paramilitares] em uma cena de rua na Berlim dos anos 1920".
Não menos espantoso que o comportamento desse grupo de provocadores foi o comportamento do professor da Escola de Economia de Londres que estava promovendo a palestra de Morris. À medida que Morris descrevia o ataque, em suas "breves observações introdutórias", o professor "ignorou completamente o assédio e a intimidação (que lhe haviam sido comunicados com detalhes), e tampouco criticou [os que atacaram Morris]".
Em Nova Iorque, quando Glenn Beck, o apresentador conservador de programas de televisão e rádio, foi recentemente ao New York's Bryant Park para assistir a um filme com sua família, foram abordados por populares que professavam ódio pelos "republicanos".
A extraordinária intolerância da esquerda por Israel teve plena manifestação dentre os participantes da chamada "flotilha". O propósito da flotilha é quebrar a lei internacional, trazendo ajuda e conforto à Gaza controlada pelo Hamas, tentando acabar com o bloqueio marítimo legal de Israel à costa de Gaza controlada pelo Hamas.
Como expôs Ehud Rosen em um relato para o Centro de Jerusalém para Assuntos Públicos, a flotilha deste ano foi organizada pelo Hamas e pela Fraternidade Muçulmana, com a participação ativa de grupos esquerdistas anti-Israel.
Em suas declarações públicas, os participantes da flotilha professam tolerância infindável com o Hamas e seus planejamentos genocidas. E não manifestam nenhuma tolerância, em qualquer aspecto, por Israel e seu direito de existir.
Através de seu comportamento, os participantes da flotilha vindos do grupo Code Pink, alinhado com Obama, e de suas organizações-irmãs, imitam o comportamento do secretário-geral da ONU celebrando a provocadora conferência do Irã sobre o terrorismo, e assistindo a ascensão da Coréia do Norte à chefia da Conferência da ONU sobre Desarmamento, e a liderança do Qatar e do Irã na Assembléia Geral.
Embora recitando de forma vazia slogans de tolerância, adeptos do governo da "comunidade internacional" apóiam a agenda das forças mais violentas, intolerantes e totalitárias do mundo. Eles não apenas as apóiam, eles servem a elas.
Não é necessário muito para despojá-los de suas máscaras superficiais de doçura e suavidade. É uma pena que tão poucos se importem em fazê-lo.



Caroline Glick
nasceu nos EUA e emigrou para Israel em 1992. Como capitã do exército israelense, ela fez parte da equipe de negociações com os palestinos de 1994 a 1996. Mais tarde, serviu como conselheira-assistente de política externa do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (durante seu primeiro mandato, de 1997 a 1998). A seguir, fez mestrado na Universidade Harvard. Após retornar a Israel, foi comentarista diplomática e editora de suplementos sobre questões estratégicas no jornal Makor Rishon. Desde 2002, é vice-editora e colunista do jornal The Jerusalem Post. Seus artigos têm sido reproduzidos em muitas outras publicações e suas opiniões são amplamente respeitadas. Seu site é www.carolineglick.com.

Publicado na revista Notícias de Israel 8/2011 - http://www.Beth-Shalom.com.br